quarta-feira, 6 de agosto de 2014

AS CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS DA DECISÃO DA GLOBO SOBRE A F1


por Ialdo Belo - direto de Amsterdam, Holanda

A Rede Globo está rachando e isto é um fato! A outrora "vênus platinada" perdeu o rumo e junto com ele, a audiência.
Acostumada a anunciar nos anos 70 e 80 o slogan "No ar, mais um campeão de audiência.", a Globo depois da saída de Walter Clark e Boni nunca mais foi a mesma e o advento da internet não contribuiu em nada para que os índices, antes imbatíveis, voltassem ao patamar de outrora.
Está se tentando de tudo: mudanças no Jornal Nacional, no Fantástico, nas novelas... mas parece que o toque de midas se foi e nem o futebol, o último dos "campeões de audiência", está conseguindo deter a sangria.
Em seu desespero em busca do share perdido, a Globo apela para remakes de novelas como "Meu pedacinho de chão", originalmente transmitida em 1972 e "O Rebu", também da década de 70. Resultado desastroso: a "Meu pedacinho de chão" de 2014 teve a pior audiência da história dentre todas as novelas produzidas para o horários das 18 horas e teve que ser encurtada. "Saramandaia" 2013 também foi outro fracasso. Tiraram a ex-rainha Xuxa do ar; apelaram criando romances gays com intuito meramente apelativo nos folhetins das 21 horas; deram um programa matinal pra Fátima Bernardes que parece ser assistido somente por ela; jogaram Zeca Camargo no Vídeo Show e nada disso está surtindo o efeito desejado.
Um veículo de comunicação e ainda mais um do tamanho e porte da Rede Globo precisa gerar ótima audiência para atrair os patrocinadores, que no final são os pagadores da conta. Entretanto, quando uma emissora cobra um valor sabidamente algumas vezes superior ao das concorrentes e estas entregam um produto com mais audiência a um preço menor, a crise se instaura.
Hoje, o Brasil é o país de maior audiência da Fórmula 1 no mundo, com uma média de 75 milhões de telespectadores para cada corrida, ou seja, o brasileiro gosta da F1, independente de piloto brasileiro ou não. Basta dar uma olhada nos grupos das redes sociais e vocês descobrirão que o torcedor de hoje, aquele que nem viu Senna correr, vibra com Lewis Hamilton, Sebastian Vettel e Fernando Alonso. Se Felipe Massa for bem, ótimo, mas não essencial.
Apresentados esses fatos, a pergunta que fica é: o que está acontecendo de errado com a transmissão para que a TV Globinho tenha mais audiência que um treino da F1? Eu diria: a própria transmissão.
A Globo tem um excelente jornalista chamado Reginaldo Leme, respeitado no mundo inteiro pelo seu trabalho. A Globo tem na minha opinião o melhor locutor de F1 do mundo, que atende pelo nome de Galvão Bueno. Não, não me atirem pedras os detratores do Galvão! Em todos esses anos cobrindo a F1 convivi com narradores de diversos países e posso afirmar sem medo de errar: Galvão entende do assunto, é muito técnico e emocionante. Antes que atirem mais pedras, reflitam e veja de onde vieram seus conhecimentos sobre F1...
Tendo estes dois profissionais no seu time, o que falta para a Globo melhorar a transmissão e trazer de volta a audiência perdida? O show jornalístico! Entende-se então a partir da própria definição que bons jornalistas esportivos deveriam ser escalados para completar o quadro com informações do paddock. A Globo teve muitos deste quilate, mas vou citar apenas um: Roberto Cabrini. No entanto, o que deveria ser o show de abertura, tão bem apresentado pela BBC inglesa, por exemplo, virou "Rubinho no grid". É deprimente ver Barrichello vaguear pelo grid fazendo perguntas ou afirmações sem nenhum conteúdo jornalístico, invariavelmente sendo perguntado pelo "entrevistado" quando voltará a correr na F1, jogando o Galvão na sinuca de sempre. Enquanto isso, a fraca Mariana Becker por sua vez faz perguntas tolas como "o que você espera da corrida de hoje?" e eles seguem se arrastando pelo grid até serem literalmente expulsos!
De volta à cabine, entra Luciano Burti cujo papel praticamente se resume a traduzir as cada vez mais entediantes mensagens de rádio com pérolas como "O engenheiro do Vettel disse para ele acelerar." Pombas! Isso é o mínimo que se espera de um piloto de F1, que acelere!
Montasse a Globo um verdadeiro time de jornalistas que trouxesse informações realmente relevantes; que ao invés de comerciais entre um Q1 e um Q2 viessem considerações precisas sobre o desempenho dos carros, condições de pista, rendimento dos pneus... a estória seria outra! O telespectador de hoje antes de mais nada tem acesso ao conhecimento através da internet e mesmo para aqueles que não conhecem outros idiomas o Google Tradutor está aí para pelo menos dar uma noção. Daí, ele exige mais e não comentários como "Felipe Massa passou por aqui mas não quis falar."
Em todos os países aqui da Europa em que as transmissões da F1 migraram para canais pagos ou pay-per-view, caso aqui da Holanda, a audiência caiu ainda mais, distanciando o esporte do grande público.
Quem pensa que o público que assiste a F1 no Brasil é elite está tremendamente enganado e milhões de pessoas deixarão de assistir às provas por absoluta falta de recursos para pagar um canal que nem vem no pacote básico das assinaturas.
Pior ainda se essas transmissões forem feitas do estúdio e não "in loco", com informações obtidas do site da FIA e do olho do narrador em uma tela a 16.000 Km da ação.
Para mim, isso será o princípio do fim da F1 no Brasil.
A ver.

UPDATE: A REDE GLOBO DESMENTIU FORMALMENTE A MATÉRIA PUBLICADA PELO SITE DA REVISTA QUATRO RODAS E QUE GEROU ESTA CRÔNICA.
MELHOR ASSIM, QUE A F1 CONTINUE NA TV ABERTA, PARA O POVO.
NO MAIS, TUDO O QUE FOI ESCRITO POR MIM SOBRE A EMISSORA E A SUA TRANSMISSÃO DA F1 CONTINUAM VALENDO.



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