segunda-feira, 21 de abril de 2014

TRIBUTO A LUCIANO DO VALLE: UM ÍDOLO, UM AMIGO.



por Tony Moura

Era pra ser um sábado de alegria para mim. O dia amanheceu ensolarado em Miami e postei no Facebook que estaria indo ao encontro dos amigos para nossa saudável diversão. Como quase sempre acontece nessas ocasiões, nunca esperamos que com o passar das horas tudo possa mudar.
Pois o sábado que começou alegre ficou triste, muito triste.
Ao receber a notícia da morte do Luciano me senti numa mistura de sentimentos que iam da tristeza a frustração, da raiva ao desconsolo.
Luciano esteve bem perto da morte em 2012 e eu sabia disso. Mas também sabia que ele havia optado pela vida. Basta olhar para a foto acima e ver como ele tinha decidido viver. Pela Flávia, pela família, pelos amigos e fãs. Por isso, não aceitei e não quero aceitar! Agora era a hora do Luciano viver. Ele queria narrar a Copa no Brasil. Ele queria estar presente nas Olimpíadas no Rio. Eram dois sonhos se realizando quase ao mesmo tempo e isto é o que mais dói: ele queria, a morte não deixou...
Apaixonado que sou pelos esportes, Luciano do Valle foi em princípio um ídolo para mim. Quando tive a felicidade de tornar-me amigo e descobrir a grandeza deste homem há uns 30 anos, veio a certeza de que nossa amizade seria o que acabou sendo: inabalável até a morte.
Além de amigo, Luciano foi meu sócio em em Miami, cidade que ele adorava, na loja Carol & Do Valle Sports. Casado na época com a jornalista Silvia Vinhas, da Band, que estava sendo transferida para Miami, Luciano resolveu vir também e desenvolver o projeto da Luqui TV, uma produtora que alocava espaço em emissoras locais e reproduzia material q
ue a Band enviava do Brasil e também fazia reportagens locais. Com seu espírito inovador, Luciano transformou a Luqui num sucesso auxiliado por uma equipe que incluía "feras" do naipe de Maria do Carmo Fulfaro, Vera Nicaretta, Sergio Botinha e tantos outros... Entre outros feitos, Silvia Vinhas e Sergio Botinha fizeram com exclusividade a matéria que mostrava Ayrton Senna testando o carro de Emerson Fittipaldi na Indy.


Tive a honra também de tê-lo ao meu lado quando lançamos o "Carol Shop Atende", um programa para vendas de produtos através da TV que eram entregues no Brasil através do correio e que apresentávamos direto de Miami nas madrugadas das sextas para os sábados, pela Band.
Na última vez em que estivemos juntos, poucas semanas atrás, falamos sobre a Indy e sobre a expectativa dele para narrar a Copa no Brasil. Agora, o que era sonho se foi de repente, transformando-se numa triste realidade: a de que perdi meu amigo e meu ídolo.
Luciano do Valle trouxe muitas alegrias para milhões de brasileiros e por isso deixo aqui, simplesmente, o meu muito obrigado por ele ter existido.

QUEM FOI LUCIANO DO VALLE


por Ialdo Belo

O telefone tocou na minha mesa numa manhã de dezembro de 1996. Do outro lado da linha estava Maria do Carmo Fulfaro, ex-esposa e na época a toda poderosa sócia de Luciano do Valle na Luqui TV, em Miami. Conhecia e admirava o trabalho da Do Carmo desde quando ela como repórter da Band trabalhava nas transmissões da Indy as quais eu assistia ainda no Brasil. Entretanto, o que eles estavam fazendo em Miami ia muito além: faziam televisão da boa; jornalismo competente numa época em que a internet era movida à corda e os jornais impressos levavam pelo menos dois dias para chegar. Competência inquestionável!
Do Carmo foi direto ao assunto: "Estamos relançando a Luqui TV e o Luciano apresentará daqui um "talk show" que será transmitido no Brasil também. Preciso que você crie a campanha."
E eu ali pensando: "Esse homem me apresentou à F1. Através dele vibrei com títulos e vitórias de Fittipaldi e Piquet; sonhei com o tetra em 82. Vamos lá."
Imediatamente larguei tudo o que estava fazendo e agendei uma reunião com a Do Carmo pra dali algumas horas. O resto virou história: fizemos a campanha, a "canequinha" estilo David Letterman e ganhamos para sempre uma turma de amigos, dentre eles meu vizinho de condomínio Luciano do Valle.
No primeiro programa, um quadro de Romero Britto no cenário e uma entrevista com o então técnico da Seleção Brasileira Paulo Roberto Falcão, como retratado na foto acima. Na platéia, todos os convidados para o coquetel de inauguração das novas instalações e Luciano ali, com absoluto controle da situação. E eu dizendo para mim: "É uma fera! Isto aqui não é um auditório, é um agrupamento de celebridades e socialites e ele mantendo absoluto controle sobre pessoas não acostumadas a serem controladas. Lembro do Albery circulando e bebericando água mineral; da Marta Ramos com os filhos... e de mais um montão de gente que fizeram daquela uma noite inesquecível. Mas, acima de tudo, lembro do carisma do Luciano que indiscutivelmente se destacava dos demais, não importando quem fosse: ali, ele era o rei.
Para entender Luciano do Valle, só conhecendo um pouco da sua vitoriosa história. Dos seus sacrifícios, como tentar narrar as Olimpíadas de 2012 de um hospital, como confidenciou ao amigo/irmão Tony Moura. É essa história que você conhecerá a seguir.
Somente se faz necessário ler e beber desta fonte do conhecimento daquele que para muitos foi o maior narrador esportivo da história do Brasil.

Luciano do Valle Queirós (Campinas, 4 de julho de 1947 —Uberlândia, 19 de abril de 2014) foi um locutor esportivo, apresentador de televisão e empresário brasileiro. Narrou várias Copas do Mundo e trabalhou em várias emissoras de televisão, como Rede Globo, Rede Record e Rede Bandeirantes. Além de narrador, teve grande importância na promoção de diferentes modalidades de esporte, como vôlei, basquete, boxe, futebol americano e automobilismo, principalmente durante as décadas de 1980 e 1990.
Filho do comerciante Rubens do Valle e da professora Tereza de Jesus Leme do Valle, iniciou sua carreira profissional aos 16 anos, como locutor na Rádio Educadora FM de Campinas e, pouco depois, transferiu-se para a Rádio Brasil AM da mesma cidade, onde já fazia narrações de futebol. Quatro anos depois, convidado pelo locutor esportivo Pedro Luiz Paoliello, Luciano do Valle mudou-se para a São Paulo e foi trabalhar na Rádio Gazeta.3 Em 1968, mudou de emissora novamente, desta vez indo para a equipe de esportes da Rádio Nacional de São Paulo, onde narrava diversas modalidades, como vôlei e basquete. Também participou da cobertura da conquista do terceiro título mundial da Seleção Brasileira de Futebol na Copa do Mundo do México de 1970.
Naquele mesmo ano, passou a fazer parte da equipe de esportes da Rede Globo de Televisão. Sua primeira participação foi na transmissão do Troféu Governador do Estado de São Paulo de basquete masculino. Também nessa época, chegou a apresentar por um breve período o programa "Dois minutos com João Saldanha", substituindo o jornalista esportivo João Saldanha. Participou da cobertura dos Jogos Pan-americanos de Cali de 1971, dos Jogos Olímpicos de 1972 e da Copa do Mundo da Alemanha de 1974. Logo após o mundial, tornou-se o principal locutor da Globo à época, devido a saída de Geraldo José de Almeida.
Ainda em 1974, narrou várias provas de Fórmula 1 e o segundo título de Emerson Fittipaldi na categoria. Entre outros momentos marcantes, narrou a vitória de José Carlos Pace no GP do Brasil de 1975 e o acidente de Niki Lauda no GP da Alemanha de 1976. Ainda pela Globo, participou da cobertura dos Jogos Olímpicos de 1976, da Copa do Mundo da Argentina de 1978, dos Jogos Olimpícos de 1980 e da Copa do Mundo da Espanha de 1982.
Após o Mundial da Espanha, Luciano do Valle transferiu-se para a TV Record. Nessa época, desenvolveu paralelamente uma carreira de empresário e promotor esportivo, montando as empresas Promoção e Luqui. Usando seu prestígio como narrador mais popular do país, tendo papel fundamental no esporte brasileiro, uma vez que ele impulsionou diversas modalidades que não tinham espaço na TV brasileira. Seu primeiro grande feito foi a organização, em julho de 1983, do Grande Desafio de Vôlei entre as seleções masculinas do Brasil e da União Soviética, no Estádio do Maracanã, com transmissão ao vivo da Record. Com um público de mais de 95 mil pessoas, a partida é considerada como um divisor de águas no esporte brasileiro e detém, até hoje, o recorde de público numa partida de vôlei. Além disso, ajudou a tornar ídolos nacionais jogadores como Bernard, William, Montanaro e Renan, que depois ficaram conhecidos como a "Geração de Prata" do vôlei brasileiro.
Ainda em 1983, Luciano do Valle mudou-se para a Rede Bandeirantes, iniciando o período de cerca de uma década de grande reformulação e ênfase na transmissão esportiva na TV brasileira, ao ampliar o espaço da cobertura e a visibilidade a muitos atletas e modalidades. Com o slogan o "Canal do Esporte", Luciano do Valle criou o programa de longa duração Show do Esporte, que levava para a TV mais de 10 horas de programação esportiva aos domingos, que apresentava diversos tipos de eventos esportivos, desde jogos de sinuca, boxe, automobilismo, vôlei, basquete e demais esportes olímpicos. Foi também o precursor nas transmissões da Fórmula Indy, a partir de 1985, da NBA e do futebol americano no Brasil. Durante o verão brasileiro, transmitia várias modalidades de esportes de praia, em programas especiais. Abriu espaço para Hortência e Paula do basquete feminino, e alavancou a carreira do lutador de boxe Maguila, tornando-se um dos seus principais promotores. Nos jogos de sinuca, ajudou a tornar Rui Chapéu famoso nacionalmente. Apostou ainda na transmissão do Campeonato Paulista de Aspirantes e de diversas competições de futebol feminino (até hoje a Band organiza uma competição internacional entre seleções), além de ter sido até mesmo treinador de futebol, comandando a Seleção Brasileira Masters na Copa Pelé, evento criado pelo próprio Luciano. Nas transmissões de futebol masculino, manteve-se como principal narrador da Bandeirantes e participou das coberturas de todas as Copas do Mundo entre 1986 e 2010. Criou no Mundial da Itália de 1990 o programa de debate esportivo Apito Final, que reunia personalidades do futebol após os jogos do torneio.
Nos últimos anos de carreira, reduziu suas atividades empresariais, tendo continuado a narrar o Campeonato Brasileiro e provas da Indy pela Band. Transmitiu os jogos do Brasil pelo canal de televisão a cabo Band Sports. Transmitiu carnaval e comandou os programas "Valle Tudo" e "Tudo em Dia", este último ao lado da esposa Flávia do Valle, para a Band RS.
Em janeiro de 2012, o narrador teve um AVC que o obrigou a passar por sessões de fonoaudiologia para reaprender a falar. Ao tentar voltar rapidamente às transmissões durante uma partida entre Santos e Palmeiras pelo Campeonato Paulista de Futebol, o narrador cometeu diversas gafes e foi motivo de chacota entre os telespectadores. Ele revelou o caso publicamente somente em 2013. Por conta de uma operação na bexiga, ele ficou fora da cobertura dos Jogos Olímpicos de 2012 pela Bandsports. Mesmo com a saúde debilitada, não se afastou das transmissões e comandava a partida principal do fim de semana na Band. Seu último trabalho foi a narração da final do Campeonato Paulista de 2014. Morreu aos 66 anos, em 19 de abril de 2014, em Uberlândia, onde narraria a partida entre Atlético Mineiro e Corinthians, pela primeira rodada do Campeonato Brasileiro de Futebol de 2014.
fontes biográficas: O Estado de S.Paulo, G1, Wikipedia



3 comentários:

  1. Ola Ialdo, adorei..uma resumao geral da historia de Luciano..que nao apenas foi importante no Brasil mas contribuiu muito no amadurecimento crescimento da midia brasileira aqui nos EUA..comecamos na Univision com o programa Brazil TV que passava as 2 da manha (costuma dizer que era o programa mais gravado do mundo!! heheh) e assim foi..aprendemos muito. Luciano com o projeto Luqui ajudou a formar muitos dos profissionais que estao por aqui trabalhando no mercado de TV e jornalismo - como Sergio Botinha, Paulo Vinhas, Vera Nicaretta, Marcelo Gama, Giovani McLaren e outros tantos...incontaveis..Luciano do Vôlei, do boxe, da sinuca, do basquete, do automobilismo, do NBA, do futebol americano, de tantas invenções e inovações…foi um capitulo importante na minha vida. Bjos Iado e Tony !! Maria do Carmo Fulfaro


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    1. E sabemos que você foi um importante capítulo na vida dele também. Maria do Carmo! Esta turma de profissionais grandiosos, sem dúvida dentre os melhores que Miami tinha, fossem brasileiros, americanos ou hispânicos, também contém o seu DNA, Maria do Carmo e para mim foi uma experiência inesquecível ter tido vocês como clientes, companheiros e fornecedores. Tudo junto e misturado. :)
      Beijos, com carinho e respeito, do amigo de sempre,
      Ialdo

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  2. Bela e emocionante homenagem ao Luciano do Valle.
    Parabéns, Tony Moura e Ialdo Belo!!
    Desejando muita Luz pro nosso Luciano...
    Ana Duarte

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