segunda-feira, 14 de abril de 2014

MARCO MATTIACCI - A ESCOLHA CERTA PARA A FERRARI?


por Ialdo Belo

As equipes de Formula 1 contam com três tipos de profissionais: os que estão na pista; os que estão na fábrica e os que estão no administrativo.
Recentemente, muito se discutiu a respeito da função desses profissionais, principalmente no caso da Williams onde se constatou que a falta de um funcionário "de pista", ou seja, que conhecesse os meandros do dia-a-dia nos autódromos era o principal motivo para o insucesso da equipe nos últimos anos. Assim, Frank Williams trouxe Pat Simmonds e Rob Smedley para o seu time, dois dos melhores "homens de pista" da F1, e o problema ao que parece foi resolvido.
Por esse motivo, não deixou de causar espanto para muitos que ao decidir substituir Stefano Domenicali a Ferrari tenha optado por um profissional administrativo, um gestor. E também por alguém de fora da F1.
Domenicali passou 23 dos seus 48 anos de idade, quase literalmente metade da sua vida, trabalhando para a Ferrari, seu único patrão até hoje. É o chamado "cria da casa" e como conhecia a estrutura de Maranello como poucos, era de se supor que obtivesse sucesso ao substituir o maior vencedor da Scuderia em todos os tempos: Jean Todt. Mas, não foi o que aconteceu. O último título de Pilotos veio no já longínquo 2007, com Kimi Raikkonen. Antes, portanto, da ascenção de Domenicali como chefe de equipe. Depois disso, o mais próximo que os italianos tiveram de ter um piloto campeão foi com Felipe Massa em 2008, ano em que a equipe cometeu tantos erros que Felipe ter perdido o título apenas por um ponto foi até lucro! Alguns já irão berrar neste ponto: "O Massa também errou." e é verdade, mas não tanto quanto a Scuderia e se tivesse marcado apenas um ponto a mais a história teria sido escrita de outra forma...
Fato é que a queda de Domenicali tem, para variar, nome e sobrenome: Fernando Alonso. O Príncipe das Lamúrias sentiu que deste ano não escaparia do machado da Ferrari caso falhasse mais uma vez em conquistar o Mundial e decidiu agir antes: fritou Stefano em óleo bem fervente, sempre na conversa de que "o problema não sou eu, é o carro."
Luca Montezemolo (não se usa o "di", a menos que se escreva seu nome completo: Luca Cordero di Montezemolo, regra que a mídia costuma ignorar) juntou A + B e viu que uma decisão radical tinha que ser tomada, numa espécie de tudo ou nada, e o que poderia ser mais radical do que demitir Domenicali com apenas três corridas na temporada e trazer um gestor de fora da F1?
Aí é que entra a história de Marco Mattiacci. O até agora CEO da Ferrari para as Américas é um tremendo estrategista, com um currículo de sucesso em tudo que se envolveu até agora, inclusive na gestão esportiva em outras categorias. Também ao contrário de seu antecessor, Mattiacci não tem vínculos com ninguém no paddock da Ferrari na F1 e pode chegar aplicando um choque de gestão, botando inclusive pra correr (com duplo sentido, por favor) o choroso Alonso, que sempre teve ao seu lado a mão protetora de Domenicali, a qual vez questão de morder.
Pode dar certo, pode dar errado. Pelo menos uma atitude foi tomada e isso é que os tifosi queriam. Pelo menos dá mais tempo a Montezemolo e o isenta de não agir.
A partir deste final de semana, no GP da China, veremos se foi a escolha correta.

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