quarta-feira, 16 de abril de 2014

FORMULA VEE ENTRA COM PROCESSO CONTRA A FASP E MAIS DOIS


por Ialdo Belo

O imbróglio que provocou um racha no automobilismo paulista ganhou um novo capítulo esta semana: a empresa proprietária dos direitos da Formula Vee no Brasil resolveu entrar na Justiça comum contra a FASP - Federação de Automobilismo do Estado de São Paulo, a empresa CTC e o seu proprietário Marcelo Carneiro.
O Formula i teve acesso ao documento que, ao que nos foi informado pelo Sr. Roberto Zullino, já foi protocolado junto ao tribunal. O que se destaca é o pedido imediato de embargo da categoria Formula 1600, o que, se atendido, levaria à suspensão da próxima etapa programada para ocorrer no final de semana dos dias 25 e 26 de abril.
Em resumo, a autora da ação acusa o descumprimento de acordo firmado entre ela e a FASP onde, alegadamente, esta última concordou previamente em reconhecer a Formula Vee Ltda. não só como promotora única da categoria, mas, também, como criadora do chassi denominado Naja 01. Em miúdos, o chassi Naja 01 somente poderia ser utilizado em competições da Formula Vee, mesmo que o piloto ou equipe tivesse comprado o carro.
Na opinião do Sr. Silvio Novembre, que fez parte do grupo idealizador da Formula Vee, mas que hoje está alinhado com a F 1600, o próprio regulamento da F Vee em seu Artigo 4º, Parágrafo 2º prevê como única punição aos pilotos que desrespeitarem esta regra "a retirada do número do chassi dos registros da categoria, não podendo o chassi participar da mesma." Isso, de acordo com Novembre, é o que traz legitimidade à F 1600 já que os pilotos aceitaram a punição e não pretendem mais correr na F Vee.
Por outro lado, o diretor de Competições da FASP Sr. Ernesto Costa e Silva, ouvido com exclusividade, disse não ter recebido até aquele momento nenhuma notificação sobre o processo judicial, mas nos afirmou que foram os pilotos que procuraram a entidade e solicitaram a criação da F 1600: "A Federação existe para os pilotos - declarou Costa e Silva, e se eles querem pegar os carros que são deles e correrem numa categoria com outro nome é dever da FASP não se opor. Além do mais, a Formula Vee continua existindo, mas vem enfrentando uma diminuição drástica no número de carros participantes, tanto que na etapa de abril se inscreveram 15 carros, largaram 10 e terminaram 4, sendo que dois foram desclassificados.
15 carros é a quantidade mínima exigida pela FASP para a realização de uma prova." - esclareceu.
Costa e Silva também falou sobre a polêmica da realização em conjunto das duas categorias na próxima prova: "É para o bem do esporte. Se um patrocinador vê um grid cheio de carros, se anima. Se vê somente dois pilotos, perde todo o interesse." Além disso - continuou, os carros são 99% iguais, o que os diferencia é apenas o nome da categoria. Não é a mesma coisa de colocar os Vee para correrem juntos com os F3."
Sobre a questão da homologação do chassi o diretor foi taxativo: "Até hoje isso não existe, pelo menos na FASP!" Os carros são protótipos que passaram em testes de segurança, tanto que estão aí correndo há três anos sem acidentes graves. Se alguém tem algum documento que comprove a homologação do projeto do chassi, que o mostre." - completou.
Perguntamos sobre a legalidade de se correr com carros não homologados Costa e Silva esclareceu: "Quando se tem um protótipo que passa nos testes de segurança, isso não é necessário. Este foi o caso da Vee. A idéia inicial era de uma diversão, ex-pilotos que comprassem uma Variant, um TL ou uma Brasília e mais um kit que transformaria esses carros em monopostos. A idéia pegou e cresceu, mas os carros são montados numa madeireira, repito, madeireira e não serralheria, em cima de uma bancada de madeira. É uma produção praticamente artesanal." - encerrou.
Ainda no documento que teria sido enviado à Justiça, os autores citam aquilo que a seu ver são diversas outras infrações e demandam o pagamento de indenizações e multas, tanto da parte da FASP quanto dos outros citados no processo.
Procurado para falar sobre o assunto, o Sr. Marcelo Carneiro, citado no processo e diretor de outra citada, a CTC, nos informou que também ainda não recebeu nenhuma espécie de notificação e que preferiria se pronunciar após tomar conhecimento do conteúdo da denúncia.
Fizemos contato telefônico com a FASP que através do Sr. Antonio Carlos Pinotti revelou que até aquele momento (15h27m do dia 16 de abril de 2014) a entidade não havia sido notificada oficialmente, pelo menos em seu conhecimento. Perguntamos também ao Sr. Pinotti se procediam informações que havíamos recebido e que diziam que o Sr. Roberto Zullino estava proibido de adentrar nas dependências da Federação e o mesmo negou o fato categoricamente, afirmando, inclusive, que havia visto o Sr. Zullino no último dia 8 aguardando na sala da recepção. O fato também foi negado por Costa e Silva: "Nunca houve nenhuma ordem proibindo a entrada dele na FASP. O que ocorreu é que o Sr. Roberto Zullino me ameaçou através das redes sociais, afirmando que iria me agredir fisicamente na reunião que seria realizada naquele dia 8. Para evitar um conflito, tomei providências no sentido de impedir a sua entrada na sala onde me encontrava, só isso."
Nós do Formula i entendemos que do momento em que o assunto foi parar nos tribunais, a Justiça definirá quem tem razão e, qualquer que seja o resultado, um perdedor já está claramente definido: o automobilismo brasileiro.


4 comentários:

  1. Ialdo, você tem cópia da ação, portanto, nada mais tenho a acrescentar. Só sei que a Fasp conseguiu destruir um grid de 29 carros que tivemos em Dezembro de de 2013, isso é o fato mais relevante e mostra a má gestão.
    A prepotência e incompetência de um grupo que há 30 anos domina a Fasp tem os resultados à vista de todos, basta ver o número de carros quando comparado com 10 anos atrás.
    O automobilismo brasileiro não está perdendo por causa desse imbróglio da Formula Vee que esse grupo tentou tomar na mão grande e não conseguiu, está perdendo há 10 anos pela gestão que se baseia na venda de carteirinhas e cobrança de inscrições, nem a Federação e tampouco os Clubes jamais tiveram a iniciativa de atrair patrocinadores e muito menos público, corre-se para ninguém, não há viva alma na arquibancada.

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  2. Não preciso ir na Fasp porque me afastei das funções da Formula Vee e apenas cuido de assuntos legais como esse. Quem cuida de assuntos de regulamentos e pista é o FVee Clube do Brasil.
    Tenho 65 anos, fiz a Formula Vee com 62 e apesar do sucesso não é parte importante da minha vida, vivi muito bem mais de 60 anos sem ela. Que a justiça decida, o nível de perseguição e humilhações que os pilotos, todos DONOS de carros, e preparadores da Formula Vee estão sofrendo não nos deixou outra alternativa, não há diálogo com prepotentes vendedores de carteirinhas e cobradores de inscrições que vivem como vampiros.
    A formula genérica foi feita por equipes LOCADORAS de carros e quem manda nesse caso são os donos de equipes.

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  3. Nada à comentar apenas que estou ao lado de meu amigo Zullino e da legalidade!

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