segunda-feira, 10 de março de 2014

O QUE ESPERAR DA TEMPORADA 2014 DA F1


por Ialdo Belo

E chegou a hora da verdade! Esta é a semana que trará de volta todas as emoções do Campeonato Mundial de Fórmula 1 a partir do primeiro GP da temporada, direto de Melbourne, na Austrália.
Este será um daqueles anos atípicos devido às mudanças radicais no regulamento da categoria e apesar das especulações levantadas nos testes de pré temporada, não há como apostar em equipes ou pilotos favoritos, este é um fato. O que podemos é traçar um perfil baseado no que foi visto e especular o que pode vir daí.
Comecemos com a Red Bull: a equipe austríaca tem um projetista genial chamado Adrian Newey, mas que também é notório por desenhar carros absurdamente compactos. Se essa estratégia deu certo pelas últimas quatro temporadas, para 2014 revelou-se, literalmente, uma batata quente. O novo motor Renault apresenta problemas sérios de super aquecimento e no apertado carro da RBR o desastre ficou ainda mais evidente. O resultado foi uma equipe que apresentou problemas em todas as sessões de treinos e que deu pouquíssimas voltas no total. Sem treinos, o problema ficou ainda mais difícil de corrigir a tempo para a abertura da temporada. Entretanto, daí a dizer que a Red Bull e Vettel estão fora desde já pela disputa do campeonato vai uma distância enorme. Se existe uma equipe na F1 hoje com capacidade de uma reviravolta esta é a RBR. Se não houver uma equipe dominante até a Espanha, a exemplo da Brawn em 2009. é possível sim que a RBR venha a brigar pelo título, ainda mais com a possibilidade da dupla pontuação na prova final, em Abu Dhabi.
Já em relação à Mercedes, a equipe vem sendo apontada após os testes como a grande favorita ao título. Existe algum fundamento nisso? Mais ou menos. Os alemães sem dúvida tem um carro bem nascido e um motor que, pelo menos nos treinos, mostrou ser veloz e confiável. Entretanto, com a redução da capacidade de combustível devido à diminuição no tamanho dos tanques, o consumo exercerá um papel crucial, ou seja, de nada adiantará ter um carro veloz se no final ele parar por pane seca.
Aí é que entra a Ferrari: carro bom, pilotos excelentes, motor confiável e... econômico. Nos testes, os motores de Maranello provaram ser os mais econômicos e no conjunto da obra é certo que a equipe irá brigar pelo título, nem que seja se aproveitando do abandono dos outros.
Outra equipe que se destacou foi a Williams. Nós já havíamos dito aqui que o time de Grove vinha para o tudo ou nada e que se havia uma equipe que poderia se beneficiar com a mudança das regras seria ela. A Williams, vale a pena repetir, tem uma das mais bem estruturadas instalações dentro de todos os times da F1, herança dos anos dourados da década de 90. O projeto do carro de 2014 foi executado visando achar a melhor solução entre aerodinâmica e potência (parece óbvio, mas nem sempre é assim) e tanto poderia ser um tiro n'água, como a McLaren do ano passado, quanto um carro excelente, para brigar por vitórias. O projeto não permitia posições intermediárias: era vencer ou perder feio! Ao que tudo indica, temos um carro para brigar pelo pódio e por vitórias, situação bem diferente de 2013. Chances de levar o campeonato? Existem, embora o mais certo  seria afirmar que a briga pela vitória na Austrália seria mais realista e que o campeonato irá depender muito do desenvolvimento não só da própria Williams, mas, também, dos outros times.
A McLaren me agradou de cara e o estilo de pilotagem de Button pode ser uma tremenda vantagem com relação ao problema de consumo. Se este não se apresentar para o time de Woking, então o estilo do jovem Magnussen vai se destacar. Na minha opinião, Kevin é o melhor piloto a estrear na F1 desde Vettel. No mano a mano, entretanto, nenhum dos dois, em igualdade de condições, teriam como brigar contra Hamilton e Alonso e acho que é nisso que a McLaren pode ser superada.
A Force India veio forte, embora seja do feitio de Vijay de jogar para a torcida e, portanto, não dá para saber exatamente o quão forte. Brigar pelo título? Não acredito! Pelo pódio? Certamente.
A Sauber vive uma situação muito similar à dos indianos, exceto pela questão do marketing. Os suíços trabalham sério e o que foi apresentado nos testes provavelmente é o que a equipe tem. Adrian Sutil é burocrático e Estebán ainda está buscando seu espaço. Se pintar um pódio, já estará de bom tamanho.
STR, por incrível que pareça, apresentou até o momento um carro melhor do que o da "matriz" RBR. Mas brigar por vitórias ou pódios será muito difícil.
Maldonado, ao que tudo indica, errou feio ao trocar a Williams pela Lotus, que é mais uma equipe sofrendo com o até agora famigerado motor Renault. O contraste ficou mais evidente quando Massa colocou os carros patrocinados pela Martini no topo da lista de tempos enquanto Pastor amargou a última colocação. A equipe de Enstone ganhou dinheiro e perdeu talento e vendo de qualquer ângulo é muito difícil que chegue perto do qye apresentou em 2013.
Marussia foi uma grata surpresa e já pode-se dizer que as chances de conquistar seu primeiro ponto nesta temporada são bem realistas.
A Caterham não só apresentou o carro mais feio de todo o grid como também o pior! Será uma pena ver o talento de Kobayashi ser desperdiçado num carro que ele mesmo definiu como "um GP2".
Resumo da ópera: para quem está no Brasil, a história começa a partir desta quinta-feira com transmissões dos treinos através do SporTV com direito aos excelentes comentários do mestre Lito Cavalcanti. Na madrugada de sábado para domingo, pela Globo no Brasil e Fox Sports para EUA e América Latina, saberemos um pouco mais sobre quem veio e ao que, e a partir daí é acompanhar até o início da temporada européia na Espanha quando as equipes terão a primeira chance real de corrigir ou melhorar alguma coisa.
A ver!

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