sábado, 29 de março de 2014

AS ÚLTIMAS DA INDY COM TONY MOURA DIRETO DE ST. PETE, O RELATO DE MATHEUS JACQUES E A ANÁLISE DO QUALIFYING DA F1.


TEMPORAL JAPONÊS

por Tony Moura - Direto de St. Petersburg

E praticamente deu empate: após os motores Honda terem dominado a primeira sessão de treinos livres e os Chevy a terceira, ambos os motores largam na primeira fila para o GP de St. Pete que será disputado neste domingo, com transmissão ao vivo da BandSports para o Brasil a partir das 16 horas.
Depois dos fortes ventos na última sessão de treinos livres, a chuva chegou com tudo provocando um atraso de mais de três horas no qualifying.
Quando, enfim, a pista apresentou condições, vimos o consistente Takuma Sato, da A.J. Foyt, voar baixo para conquistar a sua segunda pole consecutiva já que a última da temporada passada também foi dele. Um sorridente Sato terá ao seu lado o brasileiro Tony Kanaan em sua estréia pela Chip Ganassi. Helio Castroneves também confirmou a consistência e largará entre os Top Ten e ambos os brasileiros têm plena condição de vencer a prova.
Apesar das fortes chuvas de hoje, a previsão é de tempo ensolarado para amanhã, com temperatura amena. atingindo a máxima de 21 graus.
Aproveitei para botar o papo em dia com Willy Webber e Stefano Dallara, que se mostrou muito satisfeito com a evolução dos carros que fabrica para a Indy (todos os chassis da categoria são Dallara) e confidenciou que teremos novidades pela frente. Mas isso já é tema de outra coluna...
Até amanhã, quando teremos uma análise final da corrida e vamu q vamu!
Confira o grid de largada:



A INVERSÃO NO 3º TREINO E A MUDANÇA NA RELARGADA

por Tony Moura - Direto de St. Petersburg

Mudou tudo! Se no primeiro treino a Honda dominou ocupando as três primeiras posições do grid e marcando seis posições no Top Ten, a Chevy liderou o terceiro treino ocupando as duas primeiras posições e invertendo o placar: neste momento está 6 x 4 para os motores americanos.
Helio Castroneves ocupou a primeira posição até os últimos três minutos do treino, quando foi ultrpassado pelo piloto da Ganassi Ryan Briscoe. Já Tony Kanaan também progrediu e terminou na oitava colocação num treino cuja principal característica foi o forte vento.
Para a corrida de amanhã, será implantada uma das grandes novidades para a temporada deste ano: a relargada com os carros em fila única, que valerá para todas as provas, exceto em ovais e Indianapolis.
O quatro vezes campeão da categoria Dario Franchitti que está aqui como convidado especial e dirigirá o pace car mostrou-se favorável à medida: "Foi uma boa decisão, disse Franchitti, na largada é bonito de ver a fila dupla, mas na relargada haverá espaço para ultrapassagens.", completou.
Confira os tempos do terceiro treino abaixo:



CHOVE CHUVA

por Ialdo Belo

Todo ano é a mesma coisa e todo ano me pergunto: se sabem que no horário da F1 na Malásia sempre vai cair um toró, por que não mudam o horário? A desculpa de Mr. Ecclestone é a da transmissão para a Europa, questão de fuso. Mas, o prejuízo das emissoras não é maior tendo treinos/corridas atrasados? Claro que é! Uma janela para transmissão via satélite é absurdamente cara e se as atividades em Sepang fossem realizadas umas duas horas antes nada disso aconteceria.
O treino em si mostrou que as Mercedes continuam dominantes e, salvo um problema de confiabilidade como o de Hamilton na Austrália, vão empacotar mais uma vitória.
A excelente surpresa foi Vettel, sem dúvida. Se com o carro ruim ele deu aquela volta fantástica, imaginem quando acertarem...
Na Williams ficou comprovado que faz falta um Ross Brawn, ou seja, a equipe não tem um bom estrategista e isso é fundamental para se ganhar qualquer coisa na F1 de hoje. Massa e Bottas lá atrás não refletem a verdadeira condição do carro.
O troféu "Samba do Crioulo Doido" vai para Jenson Button, que não só insistiu em andar com pneus intermediários debaixo de um temporal, como ainda afirmou após o treino que agiu certo!
Duas medidas, dois pesos: por que punir Bottas e não punir Alonso? A regra é clara, Arnaldo: se um carro colocou duas rodas numa ultrapassagem o outro tem que recuar. Kvyat tinha quatro rodas, um carro inteiro e ainda assim o espanhol fez uma barbeiragem tremenda! Mas, como é a Ferrari, fica tudo por isso mesmo que ninguém é besta de mexer com Montezemolo, nem tio Bernie.
Por fim, um recado para o Pastor: muda o número do carro, chapa. Não foi por acaso que o 13 ficou tantos anos fora da F1 e parece, pelo azar que vem tendo até agora, que a lenda tem um certo sentido...


A ESTRÉIA COM VITÓRIA DUPLA EM GUAPORÉ NA FORMULA RS

por Matheus Jacques
Meses de preparo, horas e horas estudando vídeos dos outros pilotos na pista de Guaporé/RS, noites em claro pensando em como seria a minha estreia pela Formula RS e agora lá estava eu. Finalmente o momento da verdade chegara e eu, apesar do nervosismo, sabia que estava pronto. Primeiro treino livre do final de semana, a pista estava úmida, mas como já disse aqui, gosto de andar na pista úmida. Sentado no carro, amarrado pelo cinto de segurança, eu tinha voltado a ser um piloto. Depois da conquista do título da Formula Vee e do treino realizado em Tarumã pela formula RS, fiquei um grande período longe das pistas e a saudade me corroía por dentro, mas finalmente, era hora de sair dos boxes e acelerar. Motor ligado, respirei fundo e sorri. Meu corpo e o carro se tornaram um só e assim, parti para a pista. Foram voltas de aprendizado, não estava preocupado com o tempo, tentava memorizar ao máximo cada detalhe da pista, cada objeto ou marca que pudesse me servir como ponto de referência na hora de frear e acelerar. Esse foi o meu objetivo e tive sucesso nele. Eu teria mais cinco treinos livres depois deste e eu sabia que não seria nada fácil conseguir andar no ritmo dos líderes, mas eu precisava me esforçar e precisava ser rápido. A cada treino descobria novos limites e aperfeiçoava a minha pilotagem, meus tempos melhoravam e eu me tornava cada vez mais competitivo. Eu não sentia vontade de sair do carro, estava tão confortável lá dentro, me sentindo tão bem com a pista, que a minha vontade era de que o treino nunca acabasse, mas como isso não era possível, o dia teve de ser encerrado e eu retornei ao hotel.
Já deitado na cama, eu fechei os olhos e refiz o traçado inteiro na imaginação. Revia todos os meus pontos de referência e pensava onde podia melhorar. A tomada de tempos seria no dia seguinte e eu sabia que para fazer a pole-position eu precisaria melhorar. Depois de muitas voltas imaginárias no excelente traçado de Guaporé, adormeci.
O dia amanheceu muito frio , 8 graus e nebuloso, bem como eu imaginava, mas isso passaria e revelaria um intenso sol que elevou a temperatura. Durante os treinos, uma curva me chamava a atenção, eu sabia que perdia tempo lá e decidi contar isso ao Noel. Ele, como sempre muito atencioso, me levou até a curva e ficamos lá observando os outros pilotos fazendo-a e aprendendo o modo mais rápido de encará-la. Feito.  Nos próximos treinos eu me tornei o mais rápido naquela curva e eu devia isso tudo ao Noel, ele me mostrou o melhor caminho, uma verdadeira aula teórica e ficou tudo muito mais fácil.
Era hora da tomada de tempos. Algumas matérias saíram na internet dizendo que eu tinha chego à categoria para andar na frente e que eu era um piloto rápido. Muitos se sentiriam pressionados por isso, mas eu usei tudo como um combustível extra. Queria mostrar a todos que não estavam errados e que eu era mesmo rápido. Mostraria a qualquer custo. Assim, pensando dessa forma, saí para a classificação. Dei duas voltas calmas para aquecer o equipamento e de cara já senti o carro perfeito. Entrei na reta dos boxes para abrir a terceira volta e pisei fundo, o motor gritava atrás de mim e meu coração gritava junto com ele, mais uma vez eu e o carro éramos um só. Contornei a primeira curva como nunca antes, sentia cada buraco da pista e sabia exatamente onde passar, fiz a segunda curva nesse mesmo ritmo e cheguei naquela curva que tive dificuldades nos treinos, a Curva do Túnel. Lembrei-me de tudo o que o Noel tinha me dito e apenas obedeci.
Excelente, agora só precisava manter o ritmo e completar a volta. Foi uma volta sensacional e o prêmio por ela foi a pole-position na minha categoria. Senti um grande alivio e fiquei muito satisfeito ao ver a alegria da equipe. Eles foram sensacionais e mereciam aquele resultado. Fim do segundo dia do fim de semana e retornamos ao hotel.
Acordei animado, sentia que teria um grande dia pela frente. Teria de lutar muito, mas sabia que as chances eram boas. Cheguei cedo ao Autódromo, a primeira corrida seria logo pela manhã e eu precisava conversar com a equipe, precisava me concentrar.
Eu estava sentado no carro, pronto para a corrida quando o Noel, o dono e chefe da equipe,  veio falar comigo: “Não preciso dizer nada né, Matheus? Senta e faz o que você sabe.” Logo após disso recebi permissão para ligar os motores e partir para a pista. Durante a volta de apresentação eu consegui me manter calmo. Como sempre digo aqui, me preocupo bastante com a parte mental e a treino muito para esses momentos. Respirava fundo, mantinha-me concentrado e focado. Parei o carro na reta dos boxes e esperei o acender das luzes. Acenderam. Giro do motor lá em cima, olhos fixos no farol e eles apagaram. Larguei bem, me posicionei pelo lado de fora da pista e ultrapassei dois carros da categoria principal, a partir daí, comecei a administrar a liderança na minha categoria, a Light. Não participei de nenhuma briga desnecessária e mantive um ritmo forte durante toda a corrida. A cada volta me distanciava dos meus concorrentes e me aproximava da vitória. A Direção de prova mostrou a placa indicativa de três voltas para o final, depois duas e logo após entrei na última volta da corrida. Fiz a volta inteira com todo o cuidado do mundo. Contornei a curva da vitória e avistei a bandeira quadriculada. Ela era minha, eu era o vencedor. Ergui os braços fiz o numero um com o dedo e assim cruzei a linha de chegada. Fui tomado mais uma vez pela sensação de vencer, o combustível dos pilotos. Vi a equipe pulando, se abraçando e isso só aumentou a minha felicidade. Essa vitória era deles também, recebi um carro perfeito e só o conduzi por um tanto de voltas, quem venceu a corrida não fui eu, foi a Nafta Motorsport, eu só fui uma peça da equipe.
Fui abraçado por todo o time e comemoramos bastante, mas o fim de semana não tinha acabado ainda. Restava mais uma corrida, mas a confiança de todos falava por si só. Éramos os mais rápidos da categoria e se tudo corresse certo, se eu soubesse administrar, teria enorme chance de vencer novamente, dito e feito. A segunda corrida do dia foi muito parecida com a primeira. Vitória de ponta a ponta com direito à volta mais rápida da corrida.
Foi um final de semana fantástico, conquistamos todos os pontos possíveis e somos os líderes do Campeonato Gaúcho de Formula RS. Nunca imaginei que em minha estreia pela categoria eu conseguiria andar forte e vencer as duas corridas, mas o esforço de toda a equipe tornou as coisas muito mais fáceis. A harmonia dentro do box, a confiança da equipe e a vontade de vencer, me mostraram que estou no time certo, um time chefiado por um grande professor, que se chama Noel Teixeira. Ele me mostrou que a corrida é só a cereja do bolo, o que importa mesmo é o trabalho e experiência adquirida durante todo o fim de semana. Com esse ensinamento e com a minha enorme vontade de vencer, partiremos para a próxima etapa que será realizada no próximo dia 4 de Maio em Tarumã.

Um comentário:

  1. Meu querido Matheus, sua vitória só fica completa, para mim, depois que leio a sua coluna. Aí sim, eu bebo suas palavras e me embriago com elas. Parabéns. Continue assim. Essa união é primordial para o seu sucesso. Beijos

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