terça-feira, 17 de dezembro de 2013

GALASSI DESISTE DE PATROCINAR TROFÉU EM CATEGORIA



por Ialdo Belo

O empresário Marcos Galassi informou através de carta aberta publicada através das mídias sociais que sua iniciativa de patrocinar o troféu "Road to Indy" está definitivamente encerrada.
O Formula i reproduz abaixo, na íntegra, o texto de Galassi e abre seu espaço para divulgar a resposta dos outros envolvidos, ressaltando desde já nosso propósito de absoluta neutralidade em relação a esta situação e destacando que à nós cabe apenas o dever de informar.

CARTA ABERTA DE MARCOS GALASSI

"À FASP, à CTC Brasil, ao meu amigo Marcelo Carneiro e a todos os convidados e demais amigos que participaram do evento de lançamento do “Troféu Road to Indy”, ocorrido em 09/11/2013, e a quem mais possa interessar.

Eu, Marcos Galassi, na qualidade de empresário, empreendedor, piloto, pai, cidadão, sonhador e pessoa apaixonada por automobilismo que sou, venho a público informar e esclarecer alguns pontos que julgo relevantes, relacionados ao Troféu Road to Indy e a categoria Fórmula 1600 lançada pela FASP.

São eles:

1- Em Outubro/2013 fui convidado pela CTC Brasil, através do meu amigo Marcelo Carneiro, a participar, apoiar e patrocinar em 2014 uma nova categoria em desenvolvimento pela FASP, a Fórmula 1600.

2- Recebemos e aceitamos o convite com muito entusiasmo, pois vimos oportunidade de contribuir com o desenvolvimento do automobilismo de São Paulo trazendo, através das nossas iniciativas empresariais, exposição e destaque merecidos para a nova categoria e para todos que fazem dela seu esporte e seu trabalho.

3- Nosso trabalho começou depois de termos recebido uma autorização formal da FASP, em carta enviada a CTC Brasil, que nos autorizou a começarmos a trabalhar em conjunto nesta iniciativa.

4- Planejamos conceber algumas premiações “facultativas” para o Campeonato Paulista de Fórmula 1600 calendário de 2014, visando o desenvolvimento da categoria, dos pilotos e equipes, dando além de benefícios financeiros mais exposição e facilidades a todos os envolvidos.

5- Muitas foram as ideias, muito foi o entusiasmo com que tudo foi pensado dentro da melhor das intenções, sempre baseado nos princípios básicos da liberdade e livre escolha, deixando que cada piloto e equipes julgassem se suas vantagens e condições seriam boas ou não.

6- Essas ideias deram origem ao que nominei de “Troféu Road to Indy”, uma premiação destinada aos pilotos e também às equipes, voltada aqueles que espontaneamente desejassem participar. Essa premiação seria patrocinada por mim com recursos próprios, onde eu faria investimentos e daria subsídios aos diversos itens relacionados à participação de cada piloto e equipe, estaria oferecendo ainda a oportunidade de participarem de nossa série de TV que será veiculada em 2014. No nosso ponto de vista, tratava-se de um projeto vitorioso para todos, já que poderíamos criar uma grande atratividade para o esporte que amamos, beneficiando-o e gerando muito mais interesse pelo automobilismo do Brasil e dos Estados Unidos.

7- Com esse intuito, participei em 9 de novembro último do evento promovido pela CTC Brasil, que com o apoio da FASP apresentou o projeto e a premiação para potenciais pilotos e equipes da Fórmula 1600 para o calendário em 2014. O objetivo foi convidá-los a sua participação e mostrar claramente quais seriam os benefícios aos participantes. Foi nessa oportunidade que tive o prazer de conhecer pessoalmente muitos dos que fazem parte hoje do automobilismo paulista - pilotos e equipes - assim como jornalistas que compareceram em suporte a essa ação. Confesso que meu entusiasmo foi grande em ver que realmente estávamos indo de encontro aos anseios de muitas pessoas que como nós também amam o automobilismo.

Essa carta é para esclarecer que apesar de toda a boa intenção contida em nossos planos, muitas coisas estavam ocorrendo paralelamente a essa entusiasmada iniciativa. E tais coisas, que mudaram minha pré-disposição em criar essa premiação precisam ser reveladas pelo bem da verdade.
São elas:

1- Ainda em Outubro, mesmo antes de apresentarmos quaisquer planos a potenciais interessados, tive a surpresa de ser informado por amigos (que vou preservar aqui), que minha pessoa, meu caráter e até a forma como educo meus filhos estava sendo atacada e questionada por um senhor muito ligado a este meio, mas claramente não tão interessado no desenvolvimento e crescimento do esporte. Saber disso foi muito triste para mim, para dizer o mínimo, porque me recordo de tratá-lo com todo o respeito cabido, isso na única vez que nos encontramos.

2- Apesar de muito abalado pelo ataque e acusações, e apoiado pelos amigos, decidi seguir em frente imaginando que tais atitudes não tinham sentido de ser, já que os ataques pessoais partiam daqueles que não têm menor conhecimento da minha pessoa, da minha história e das minhas realizações como cidadão, empresário e pai de família, isso sem falar na ética que sempre pautou a minha forma de agir e pensar. De toda maneira, tratou-se de uma lamentável ação que agrediu a moral de pessoas e de uma família.

3- Pautado na premissa de que fazer o bem é bom, resolvi mesmo assim seguir em frente e participar do evento promovido pela CTC Brasil no dia 9, assumindo meu papel como patrocinador de uma premiação dentro de um campeonato promovido pela FASP. E foi isso que fizemos, nos apresentando e esclarecendo as nossas intenções a todos que compareceram no evento, um evento aberto e transparente onde todos puderam fazer perguntas, tirar dúvidas, confraternizar e conhecer em todos seus detalhes as premiações e o “Troféu Road to Indy”.

4- Não obstante aos ataques feitos até então aos nossos projetos ligados ao automobilismo continuamos a ser atacados e ameaçados, só que agora no nível ligado aos meus negócios e às minhas relações comerciais e profissionais. Calúnias e difamação contra a minha pessoa foram ditas aos meus clientes e a empresas que mantenho contratos comerciais de longa data. Fiquei sabendo disso, pois uma das empresas onde ocorreu uma tentativa de difamação do meu caráter é presidida por um grande amigo meu que me procurou imediatamente para contar o ocorrido. Ou seja: Como se defender de ataques descabidos, sem precedentes e sem motivação? Como saber quando será o próximo e qual a intenção?
Esse tipo de atitude, mais do que me entristecer (já que é a primeira vez que ocorre comigo em mais de 35 anos de vida profissional) me assusta, pois prova que o outro lado não quer construir nada, mas sim destruir. O que mais posso pensar? Quantas outras empresas, pessoas e entidades não foram vitimas de tais ações de difamação? Sinceramente fiquei sem saber o que pensar, pois esse tipo de atitude não faz parte do meu jeito de ser, muito menos de agir. Sempre estive aberto a conversar com qualquer pessoa, porque não me procurar se de alguma forma se sentia prejudicado? Essas são respostas que eu nunca tive.

5- Mas uma conclusão eu pude tomar, que me levou a pensar o seguinte: Como é possível construir algo de bom neste automobilismo, tendo ainda que lutar com situações como esta? Como viabilizar parcerias, tendo que se defender de sabe lá Deus, do que dizem de você? Isso sim me assusta.

6- Enfim, e da mesma maneira que como dos ataques pessoais ocorreram, agora tínhamos também ataques à nossa imagem empresarial e a nossa ética e honestidade. Ataques empresariais podem mais que denegrir, podem prejudicar os negócios e conseqüentemente prejudicar a forma de sobreviver. Trata-se de uma situação que apenas me entristece, pois nunca prejudiquei ninguém em toda a minha vida e não será agora que vou começar.

7- Apesar de todas as adversidades criadas com isso e baseado nos meus 35 anos de vida profissional impoluta (nunca ligada ao automobilismo, pois não dependo dele para minha subsistência) e nunca tendo sido processado ou envolvido em qualquer tipo de demandas com a lei (o que não é nada mais que a obrigação de qualquer um que preze pela sua palavra e ética), mais uma vez não me deixei abalar por tais atitudes, acreditando sempre que a competência e a honestidade vencem qualquer especulação e novamente resolvi seguir em frente com os planos de patrocinar a premiação que nominei.

8- Nas últimas semanas, ainda fechando o planejamento da premiação e promoção que faríamos confesso que estava muito entusiasmado, mesmo com todas as forças contrárias no campo pessoal e profissional.

9- Mas ainda viria outro ataque, agora no campo jurídico envolvendo advogados. Confesso que tudo tem um limite e minha capacidade de assimilação de certas coisas atingiu seu ponto máximo quando na semana do dia 25 de novembro recebo uma intimação extra-judicial da empresa Formula Vee Brasil Eventos, cuja procuradora a Sra. Fernanda Serson Zullino me acusa de querer usurpar, aliciar e outros adjetivos nada realistas, relacionados à premiação que queríamos dar e aos seus ditos direitos sobre a Formula Vee, e ainda, me ameaçando (e também a FASP, a CTC Brasil, ao Interlagos Motor Clube e até a Bandsports – que nada tem com isso ) que se continuasse com as minhas ações seria processado.

10- Assim me vi qualificado nas palavras dos advogados que representam os interesses desta empresa, que de um apaixonado e motivado incentivador do automobilismo me tomou como um “usurpador”? É isso? Pensei comigo!!! Minha conclusão não poderia ser outra: Não preciso disso.

11- Portanto, Sra. Fernanda Serson Zullino, se seu propósito era o de afastar um patrocinador do automobilismo paulista, pode ficar tranqüila, a Sra. conseguiu.

12- Desta data em diante, não mais darei suporte à criação de nenhuma premiação e ou plano de benefícios, ou qualquer outra ação que no entender daqueles que me acusam venha a infringir os seus direitos (que alias sequer ponho em julgamento, pois tenho a honestidade de alegar ignorância sobre quais verdadeiramente são).

13- Por outro lado lamento, pois tenho certeza que nenhum outro patrocinador virá com esta mesma proposta e ainda posso garantir que com esse tipo de atitude vejo que o automobilismo de São Paulo e seus pilotos e equipes só tem a perder, pois se para patrocinar uma categoria homologada pela FASP eu tenho que ir aos tribunais, posso garantir que não patrocinarei, já que como disse, não preciso disso.

14- Apenas para complementar, o que mais me assusta nisso tudo é a forma aleatória como as acusações são feitas, abrangendo pessoas, empresas e instituições que nada tem com tudo isso.

15- Então, me vendo atacado na minha moral e na minha ética, podendo ainda incorrer em perdas financeiras eu me pergunto: Marcos, por que insistir em tentar realizar um sonho e beneficiar pessoas, se você está sendo vítima de interesses que você desconhece? Por que arriscar um investimento tão grande e expor-se a ficar do tamanho daqueles que não querem que coisas boas aconteçam?

16- A resposta é simples: Por não me prestar a ser usado como instrumento de uma guerra que não declarei e por tantos ataques pessoais, empresariais e agora jurídicos, tive de tomar a decisão de não mais participar desta iniciativa que sempre julguei justa e benéfica para todos que dela pudessem participar.

17- É lamentável, mas infelizmente nosso país não está preparado para um automobilismo sério, empresarial, profissionalizante e competente, tudo graças aos interesses pessoais de poucos que o conduzem e o representam.

18- Dessa forma, quero reiterar que retiro formalmente o apoio que daria através do Troféu Road To Indy, que deixa de existir, abrindo mão de promovê-lo na temporada 2014 do campeonato paulista de automobilismo.

19- É uma pena, pois tenho certeza que seria um divisor de águas na forma de como se promove e se expõe o verdadeiro automobilismo regional, integrando-o às mais importantes categorias do mundo.

20- Finalizando, peço a todos que me perdoem, mas diante de um cenário cheio de negatividade como este, como empresário responsável e ser humano apaixonado pelo automobilismo, não poderia tomar outra decisão senão a de me afastar deste estado de coisas, seja como patrocinador que me propus a ser desta premiação, seja pela forma como isso tudo acontece. Tudo o que me sobra a dizer e reforçar é que além de me afastar, esse tipo de atitude irá certamente afastar muitos outros aficionados, empresários e empresas que por esse exemplo não olham para o automobilismo como boa ferramenta para a promoção e atração de público para suas marcas. Por conta do exposto acima, eu e minha família continuaremos investindo e patrocinarei nossas equipes no Brasil e nos EUA, agora apenas como participantes da Formula 1600, como pilotos que somos e equipe, e também nos EUA na categoria USF2000, com a criação de uma equipe Brasileira que representará nossos jovens dentro do Programa Road to Indy, isso ninguém pode nos tirar, afinal continuamos de uma forma ou de outra, juntos na estrada da Indy.


Essa carta estará disponível em meu perfil e da nossa família no Facebook por tempo indeterminado, aberta a comentários de todos os que assim julgarem pertinente comentar e será também enviada a CTC Brasil e através dela a todos aqueles que foram convidados a participar do evento do dia 9 de novembro, como forma de respeitá-los pelo apoio e suporte obtido até então. Espero vê-los nas pistas competindo de forma saudável nesta nova e promissora categoria lançada pela FASP".

2 comentários:

  1. É por isso que o automobilismo nacional está definhando, perdendo o respeito e sem representação de pilotos lá fora...lamentável

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  2. Não entendi…
    Se estou fazendo algo correto, dentro das leis e sem prejudicar ninguém, etc., por que teria medo de uma carta "extra-judicial" e de "ameaças empresariais"???
    Aí tem coisa...

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