sexta-feira, 29 de novembro de 2013

POR QUE A LOTUS CONTRATOU MALDONADO


por Ialdo Belo

Nesta sexta-feira, 29, a Lotus oficializou a contratação do venezuelano Pastor Maldonado para fazer dupla com o franco-suiço Romain Grosjean. A notícia não foi recebida como surpresa por ninguém e já existem aqueles que dirão que o título desta matéria é retundante e responderão de pronto: dinheiro. Estarão certos, mas em parte. Sem dúvida, a questão financeira foi determinante para que a equipe de Enstone preterisse  seu favorito Nico Hulkenberg em favor de Pastor e seus mais de 30 milhões de euros bolivarianos. Também é fato de que o tal acordo com a Quantum, embora ainda digam que poderá sair, já estava sendo visto de binóculos.
A situação financeira da Lotus é crítica, muito crítica. Os proprietários luxemburgueses vêm injetando dinheiro dos próprios bolsos há tempos, mas, ainda assim a sangria não para. A equipe praticamente deve para todo mundo, a começar por Kimi Raikkonen e chegando até a fornecedora de motores Renault. Várias soluções foram tentadas, inclusive uma parceria mais próxima da montadora francesa que transformaria o time numa espécie de equipe semi-oficial. Nada funcionou.
A excelente temporada de 2013 renderá um bom dinheiro vindo da FOM, mas existem boatos de que a parte devida a Kimi já será descontada na fonte...
Por outro lado, a Lotus perdeu dois dos seus principais engenheiros para a Ferrari e a possibilidade de ter um carro vitorioso como o deste ano transformou-se numa grande interrogação.
Seria então o dinheiro o único motivo para a contratação de Maldonado? Não! Antes de mais nada, devemos lembrar que a saída de Raikkonen deixou um vazio difícil de preencher, como bem provou Heikki Kovalainen. Entretanto, enganam-se aqueles que não reconhecem o talento do venezuelano. Pastor é veloz, muito veloz e o que lhe falta é exatamente o que faltava a Grosjean: lapidação. O Romain desta temporada está anos-luz à frente daquilo que foi em 2012. Como um leão domesticado, soube dosar seus impulsos e fez um campeonato irrepreensível. Pastor tem potencial para fazer o mesmo se controlar a afobação e, se o conseguir, a Lotus estará com uma bela dupla de pilotos para o próximo ano.
O grid está ficando cada vez mais interessante com apenas a Ferrari vindo com dois pilotos experientes e campeões mundiais. Ainda vejo Rosberg em processo de amadurecimento.
Esse sangue novo na F1, mais as mudanças nos carros e nas estruturas técnicas das equipes, como a saída de Ross Brawn da Mercedes, pode nos proporcionar gratas surpresas. Não a ponto do que foi dito por um comentarista de que "a Marussia poderia andar de igual pra igual com a Ferrari", isso não existe! Mas pelo menos a possibilidade de surgirem novos pilotos vencedores ou subindo ao pódio pode ser esperado.
Quem está na frente, continuará na frente porque tem estrutura para manter o desenvolvimento de um projeto bom. Red Bull, Ferrari, Mercedes e McLaren certamente brigarão mais uma vez pelo campeonato. Beliscando aqui e ali virão Lotus, Williams, Force India, Sauber e STR e pode ser que Marussia ou Caterham conquistem finalmente seu primeiro ponto.
Qualquer coisa além disso é sonhar alto.
A ver!

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