sexta-feira, 1 de novembro de 2013

GALVÃO BUENO: AME-O OU DEIXE-O


por Ialdo Belo

Ele é a principal voz e imagem nas transmissões do automobilismo na TV brasileira. Toda uma geração passou a conhecer nomes de pilotos, autódromos e até de curvas graças as suas narrações. Ainda assim, Carlos Eduardo dos Santos Galvão Bueno não é hoje uma unanimidade.
Galvão Bueno, como é mais conhecido, começou a narrar F1 em rádio lá pelos idos de 1974. São portanto quase 40 anos acompanhando de perto as emoções de um esporte que só encontra rival no coração dos brasileiros no futebol, a qual também empresta sua voz.
A primeira temporada na F1 pela TV foi na Band, no início da década de 80. A emissora paulista detinha os direitos exclusivos de transmissão e quando eles foram retomados pela Globo, Galvão foi junto. Quando Luciano do Valle deixou a emissora após a Copa de 1982, Galvão tornou-se o principal locutor esportivo. Trocou a Globo pela CNT em 1992 após divergências com Reginaldo Leme, mas já estava de volta no ano seguinte.
Com personalidade forte, Galvão provoca sentimentos de amor em alguns e ódios em outros.
Ayrton Senna foi um verdadeiro amigo, enquanto Nelson Piquet o critica abertamente.
Por falar em amigos, aqueles que o conhecem de verdade, como o jornalista e ex-piloto Sergio Louzão, são todos elogios, descrevendo-o como uma pessoa sincera e bondosa com quem realmente se pode contar.
Confesso que me espantei quando voltei ao Brasil e encontrei uma torcida contra Galvão. Viajei o mundo inteiro acompanhando a F1. Assisti a um sem número de provas nas reprises das Tvs de onde estava e nunca me deparei com um narrador que passasse tantas informações técnicas como o brasileiro. Nem mesmo na Inglaterra!
Em defesa do locutor cito aqui dois fatos: quem nunca esteve numa cabine de transmissão não pode criticar por não saber o que se passa lá dentro. O locutor tem que estar de olho na pista e ao mesmo tempo estar atento às chamadas para as vinhetas de patrocínio. Tem que dar a deixa para os comentaristas entrarem e estar atento aos chamados do repórter do paddock. Tem que anunciar as atrações da emissora e ficar de olho nos boxes. Tudo ao mesmo tempo, agora. Amigos, é um verdadeiro inferno!
O segundo ponto é que Galvão tem a responsabilidade de empolgar o torcedor. E aí é que vem as críticas mais pesadas: o piloto brasileiro está lá atrás brigando pela 14ª posição e o narrador se agita como ele estivesse botando duas voltas sobre o 2º colocado. Mas é assim que funciona, não dá para desanimar... Os patrocinadores querem audiência e ela só vem com resultados. E dá-lhe "atuar" com empolgação para manter o público ali.
É por isso que no período de ouro do automobilismo brasileiro que começou com Fittipaldi e terminou com a morte de Senna, Galvão era uma unanimidade! Entretanto, junto com Rubens Barrichello e Felipe Massa, herdou a ingrata missão de despertar o entusiasmo no torcedor que, após conhecer o sucesso, sequer aceita os três vice campeonatos mundiais conquistados pelo Brasil na F1 nos últimos dez anos. Só para dar um exemplo: quando isso aconteceu com o vôlei, que nunca havia ganhado nada, os jogadores foram saudados como heróis!
Seria muito justo afirmar que graças ao Galvão, os brasileiros, além de técnicos de futebol, se tornaram todos irremediavelmente "jornalistas" da F1. Se você sabe que Laranjinha e Café são curvas de Interlagos; Eau Rouge fica em Spa e a Parabólica está em Monza, agradeça a quem lhe trouxe essas informações. Se você identifica Ron Dennis, Rob Smedley ou o Dr. Helmut Marko, também.
Se duvida, não precisa ir muito longe: basta assistir a uma reprise de uma prova da F1 no SporTV e se espantar com os longos silêncios na narração.
E se nada disso o convenceu, tente tirar o som da TV e fazer você mesmo a narração.
Outra alternativa é assistir a corrida sem som mesmo. Você estará exercendo o seu sagrado direito de livre arbítrio e ninguém poderá criticá-lo por isso.
Mas, se optar por "narrar", não deixe de ir postando seus comentários ao vivo via Twitter ou Facebook. Assim você dará aos seus pares a oportunidade de perceber o quanto você entende do assunto.
Ou não...


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