sexta-feira, 18 de outubro de 2013

A VINGANÇA DO POSTE


por Ialdo Belo

Era uma vez um obscuro político, tão obscuro que nem político era. Entretanto, ele tinha um padrinho idolatrado na pátria amada. Salve, salve! E esse padrinho resolveu transformar o político que não era político em prefeito da mais importante cidade da pátria amada. Salve, salve! Mas como? - perguntaram alguns - esse político não é político, exclamaram! Ao que os marqueteiros da terra adorada responderam: "Esse padrinho consegue eleger até um poste!". E assim foi.
Eleito, o poste provou que realmente não era nem um pouco político e o povo deitado eternamente em berço esplêndido resolveu levantar e prestar atenção nas coisas que o poste estava fazendo e não gostou nada do que viu.
"Panis e circenses", ouviram do Ipiranga às margens plácidas o poste bradar retumbante e assim dito rumou para o espetáculo que, em suas próprias palavras, projetava a cidade da qual é alcaide internacionalmente. "Só perdemos para a Indy 500!", "O evento fomenta o turismo na cidade!". O poste era um entusiasmo só.
E então povo e poste se encontraram no circo e o povo vaiou...
O poste calou, mas agora se vingou: "Acabou chorare", declarou. E para disfarçar o rancor declarou que os "30 milhões" investidos no circense seriam melhor aproveitados em hospitais e escolas.
E aí o poste provou definitivamente que não é um político! Se fosse, conseguiria explicar como gastar 30 milhões de ducas numa estrutura que já existe. Se fosse, conseguiria explicar porque um evento, nas suas próprias palavras, tão importante para o burgo perde toda a sua relevância com explicações vãs - chegou-se até mesmo a culpar o congestionamento do tráfego da área num domingo! Isto vindo de quem mora numa cidade conhecida por suas centenas de quilômetros de engarrafamentos diários!
Assim, São Paulo perdeu sua etapa da Indy: através de uma vingança mesquinha de um poste que jamais será político, mas um mero e provisório ocupante de uma cadeira na qual foi entronado pela máquina estatal.
O povo perdeu seu espetáculo. O poste perdeu o povo.
E a justiça eleitoral tarda, mas não falha!




4 comentários:

  1. Eita, já não temos autódromo no Rio, não teremos Indy em São Paulo, pelo andar da carruagem, não teremos brasileiro na F1. Para piorar teremos eleições e copa do mundo. Podíamos pular 2014. Passar direto para 2016.

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    1. Vamos ter piloto brasileiro sim, Sandrinha. Mas, já que é para pular, seria melhor ir direto para 2018, assim não teríamos mais Poste, Dilma e toda essa raça...

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  2. "E a justiça eleitoral tarda, mas não falha!"
    Palavras ao vento, já dizia Cássia Eller

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    1. É possível, já que neste país o povo se vende por pouco, muito pouco.

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