segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Roger Williamson: a tragédia 40 anos depois


Foram as imagens mais aterradoras mostradas numa transmissão ao vivo pela TV num GP de Fórmula 1: um piloto sendo queimado vivo dentro do seu carro em chamas, enquanto outro tentava desesperadamente salvá-lo.
Roger Williamson (2 de fevereiro de 1948 - 29 de julho de 1973) foi um piloto inglês de Fórmula 1, que morreu durante o Grande Prêmio da Holanda de 1973.
Williamson ganhou os campeonatos da Fórmula 3 inglesa de 1971 e 1972. Em 1973, o piloto teve uma chance de correr pela equipe STP March, estreando em Silverstone. Para a sua segunda participação, o circuito escolhido foi o holandês, que estava sendo reaberto depois de 1 ano sem corridas a fim de melhorar as condições de segurança na pista.
Durante a prova, o pneu do carro de Williamson estourou; seu carro bateu no muro de contenção e foi arrastando-se por 275 metros, quando atravessou a pista e finalmente estacionou no muro de contenção oposto. Durante o arrasto, o tanque riscou o asfalto, efeito similar ao de um palito de fósforo sendo friccionado contra a caixa. O carro parou de cabeça para baixo em chamas, impossibilitando a saída de Williamson. Seu compatriota e amigo David Purley, embora não sendo da mesma equipe, abandonou sua própria corrida na tentativa desesperada de resgatar o amigo.
Williamson não sofreu maiores escoriações na batida, e ouviram-o gritando por Purley para tirá-lo do carro. Estranhamente, a versao inicial foi a de que os comentaristas da TV holandesa, os fiscais de prova e os outros pilotos pensaram que o carro ali destroçado era o de Purley e vendo-o tentando desvirar o carro, concluíram que o piloto estava bem. Resultado: a corrida prosseguiu tranquilamente, enquanto Purley tentava salvar seu amigo. Mas, não é o que as imagens de video mostram. Nelas, percebe-se claramente a March de Williamson já em chamas e Purley estacionando seu carro do outro lado e atravessando a pista em direção ao local do acidente.
Desesperado, Purley gesticulava pedindo ajuda aos comissários (que ainda tentaram ajudar, embora sem a mesma determinação do inglês que tentou até desvirar o carro sozinho. Ao perceber que nada mais poderia ser feito por Williamson, os comissários puxaram Purley para longe e este ainda caminhou desolado, a esmo, chegando a ficar no meio da pista, com os demais pilotos passando em alta velocidade. Detalhe: a corrida prosseguiu normalmente - o máximo que se fez nessa situação foi sinalizar o local com bandeira amarela.
Como não poderia deixar de ser, os organizadores holandeses foram acusados de incompetência. Anos depois, surgiu uma versão de que o diretor de prova havia olhado de seu posto para o local do acidente com um binóculo (lembrem-se de que não havia ainda o aparato televisivo de hoje). Ao ver um piloto andando perto do carro em chamas, o diretor teria concluído que tudo estava bem e que os danos eram apenas materiais - daí a decisão de não paralisar a corrida. Verdade ou não, o fato é que Williamson morreu asfixiado.
Além desse episódio, David Purley ainda seria durante anos lembrado por ter sobrevivido miraculosamente a um acidente em 1977, em que a força do impacto chegou a 178 G, um recorde mundial! Entretanto, ao trocar a F1 pelas acrobacias aéreas, Purley veio a falecer em um acidente aos 40 anos de idade no 2 de Julho de 1985, quando pilotava um biplano de acrobacia aérea, ao largo da cidade galesa de Bognor Regis. Seu avião caiu no mar e seu corpo jamais foi encontrado.
Clique no link e assista as imagens do acidente de Roger Williamson:

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