terça-feira, 23 de julho de 2013

O DESAFIO por Matheus Jacques

Já estamos na reta final do campeonato, os candidatos ao título estão se definindo e chegamos a Interlagos cheios de confiança para a sétima etapa.  Com uma diferença de apenas um ponto para o líder, sem contar com os descartes  e tendo vencido duas corridas, sabíamos que o caminho que estávamos seguindo era o certo.
Larguei da terceira posição, ente os 24 participantes e já na primeira volta, contornando a curva do Laranjinha, olhei para o retrovisor e vi fumaça. Avisei no rádio e mandaram verificar a pressão de óleo. Verifiquei, estava tudo certo. “Então continue Matheus, vamos buscar os caras!” Continuei. Era certo que chegaria nos ponteiros, estava rápido mas a cada volta a fumaça aumentava. Eu estava ficando tenso, os dois primeiros na corrida eram respectivamente o primeiro e o terceiro colocado na tabela de pontos, eu precisava terminar a corrida e pontuar. Na quinta volta recebi uma bandeira da direção da prova indicando que eu deveria parar nos boxes porque estava jogando óleo na pista. Nessa mesma volta a pressão de óleo caiu e para não quebrar o motor, desliguei na hora e parei na grama. Muita fumaça saia do meu carro e depois de uns cinco segundos parado, um dos responsáveis pelo socorro na pista veio correndo em minha direção com um extintor na mão. Fogo? Nervoso, demorei um pouco para conseguir puxar o cinto de segurança. Enquanto pulava do carro já vinha outro em minha direção. Afastei-me com pressa do carro e um dos dois que estava ali veio me acalmar e disse que era o procedimento padrão. Fiquei muito aliviado e ao mesmo tempo impressionado com a segurança que temos para correr em Interlagos. Mesmo eu tendo escolhido um lugar seguro para parar, em cinco segundos tinha alguém com um extintor ao lado do meu carro e em dez segundos, já eram dois me auxiliando. Perguntaram-me se estava tudo bem e disseram que eu deveria esperar o fim da corrida para ser rebocado. Sentei em uma barreira de pneus e comecei a assistir a corrida de lá. Vi os meus principais concorrentes brigando pela liderança da prova e eu sabia que podia estar ali. Interessante, estava vendo a corrida de um ângulo que eu nunca havia visto. Acreditem, nunca mais quero assistir uma competição daquele lugar. É frustrante demais. Pensava nas posições que eu estava prestes a perder no campeonato.  Lembrei-me do trabalho da equipe que foi feito durante o fim de semana e estava ali, sentado, aborrecido, ao lado do meu carro, com uma enorme poça de óleo ao seu redor.  Perdemos a chance de brigar por uma nova vitória e assumir a liderança da competição. Se isso nos desanima? Não. Somos rápidos, dedicados e focados no nosso objetivo. Ainda temos três etapas e vários pontos para recuperar e assim será. Sim, é um desafio, mas sou um piloto de competição e são os desafios que me atraem, os mesmos desafios que enfrento em cada volta percorrida, sempre tentando ser um pouco mais rápido, mais veloz, este é o desafio, superar os meus limites.

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